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Itupiranga zera fila de cirurgias eletivas com programa ‘Vidas Sem Filas’, enquanto em Marabá, desde o início do ano, fila segue parada

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22 jul

Enquanto Marabá acumula mais de 7 mil pessoas à espera de cirurgias eletivas e mantém recursos federais parados, o município vizinho de Itupiranga anunciou que zerou sua fila de espera por procedimentos do tipo por meio do programa “Vidas Sem Filas”. A iniciativa, criada no início da atual gestão do prefeito Wagno Godoy (PP), contemplou 559 pacientes que aguardavam por atendimento na rede pública local.

A maior demanda foi registrada na área de oftalmologia, com 142 cirurgias — entre catarata e pterígio. Também foram realizados procedimentos em cirurgia geral (110), hérnia (99), vesícula (64), histerectomia (41), urologia (34), laqueaduras (23), colpoperineoplastias (15), ortopedia (15), hemorroidectomias (11) e perineoplastias (5). Segundo a prefeitura, a meta era zerar a fila até julho de 2025, mas o objetivo foi atingido antes do previsto.

O prefeito celebrou o resultado como o cumprimento de um dos compromissos firmados na campanha de 2024: ampliar o acesso à saúde e eliminar as longas esperas por procedimentos. A gestão já discute agora novas estratégias para evitar que filas voltem a se formar.

Já em Marabá, o cenário é de estagnação e promessas não cumpridas. Desde o início de 2025, a gestão do prefeito Toni Cunha (PL) não conseguiu realizar nenhum avanço concreto no enfrentamento da fila de cirurgias eletivas, que já ultrapassa os sete mil pacientes — crescimento expressivo desde janeiro. O que causa ainda mais indignação é o fato de que o município recebeu mais de R$ 950 mil do Programa Nacional de Redução de Filas, mas os recursos seguem sem execução, mesmo com o agravamento da crise.

Cirurgias que vinham sendo realizadas no Hospital Santa Terezinha foram suspensas pela atual gestão, apesar da capacidade instalada e da proposta da unidade de seguir oferecendo os procedimentos com valores dentro da tabela SUS. Fontes do setor apontam que a prefeitura estaria aguardando a conclusão de uma reforma em um hospital particular pertencente a um médico apoiador político de Toni Cunha. A suspeita é de que a nova estrutura privada passe a receber os milionários contratos públicos para assumir as cirurgias, em uma movimentação que levanta questionamentos éticos e jurídicos.

Além do impasse técnico, pesa sobre a gestão o fato de que a Secretaria de Saúde do município é coordenada, de fato, pelo tio do prefeito, o que reforça a percepção de que interesses familiares e políticos têm se sobreposto à urgência da população. O contraste com Itupiranga expõe não apenas uma diferença de prioridades, mas também a forma como a condução política pode impactar diretamente na vida de milhares de pessoas.

Com o agravamento do cenário, pacientes seguem sofrendo e, em muitos casos, evoluindo para quadros de urgência que poderiam ser evitados com um mínimo de planejamento e compromisso com a saúde pública.

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