O anúncio de um investimento bilionário para a expansão da mineração na região de Carajás, feito pelo governo federal e pela Vale, trouxe um novo cenário para a exploração mineral no Pará. Embora o evento tenha ocorrido em Parauapebas, o chamado “Novo Carajás” terá como grandes beneficiados os municípios de Canaã dos Carajás e Marabá, que devem concentrar os investimentos e os ganhos mais expressivos.

O pacote de R$ 70 bilhões, previsto até 2030, ampliará a produção mineral na região, impulsionando a extração de ferro e cobre. Enquanto Canaã dos Carajás se consolida como a maior produtora de minério de ferro do Brasil, Marabá fortalece sua posição como polo estratégico na produção de cobre, fundamental para a transição energética global. Parauapebas, por outro lado, enfrenta a exaustão de suas minas e vê sua participação na arrecadação mineral encolher.
Canaã dos Carajás assume a liderança na extração de ferro
Em 2024, a Vale extraiu 94,55 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro da Serra Norte, em Parauapebas, enquanto na Serra Sul, em Canaã, foram 83 milhões de toneladas. Com o plano de expansão da mineradora, a capacidade de produção do projeto S11D em Canaã deve aumentar em 20 Mt por ano, consolidando o município como o maior produtor nacional do minério.
Com a ampliação, a arrecadação de royalties pode chegar a R$ 100 milhões por mês, além do crescimento da receita com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Caso as previsões se confirmem, Canaã dos Carajás ultrapassará Parauapebas como maior arrecadador do imposto no estado.
Marabá fortalece a mineração de cobre
Enquanto Canaã dos Carajás se consolida no ferro, Marabá será o grande nome da produção de cobre. A meta da Vale é ampliar a extração em 32%, chegando a 350 mil toneladas por ano. A principal aposta da mineradora é a ampliação da mina de Salobo, que já opera perto do limite, com 200 mil toneladas produzidas em 2024. Com a expansão, a expectativa é que a produção alcance 300 mil toneladas.
A arrecadação pública também será impactada. Apenas com royalties da mineração, Marabá poderá receber cerca de R$ 30 milhões mensais até 2030, além de um incremento no ICMS e no Imposto Sobre Serviços (ISS). Se os planos se concretizarem, o município pode, em uma década, arrecadar tanto ou mais Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) quanto Parauapebas, que há décadas domina essa fonte de receita.
Parauapebas e o declínio da mineração tradicional
Enquanto os investimentos bilionários impulsionam Canaã e Marabá, Parauapebas precisa lidar com a exaustão de suas minas. Para mitigar os impactos, a Vale aposta na chamada “mineração circular”, reaproveitando rejeitos para aumentar em 6 Mt a produção. No entanto, essa estratégia não compensará a queda da extração tradicional, podendo levar a uma retração na arrecadação municipal.
A mudança na configuração da mineração no Pará marca o fim da hegemonia de Parauapebas e o surgimento de um novo eixo de poder econômico na região. Com Canaã dos Carajás e Marabá no centro dos investimentos, o “Novo Carajás” pode trazer crescimento, mas também desafios, principalmente para os municípios que não estão no epicentro desse novo ciclo mineral.