As exportações de Parauapebas registraram uma queda alarmante em fevereiro, atingindo o menor patamar em uma década. Segundo dados do Ministério da Economia, o município exportou apenas 248,84 milhões de dólares no mês passado, um desempenho inferior até mesmo ao de 2016, quando o setor enfrentava uma grave crise devido à baixa cotação do minério de ferro.

A retração reforça o alerta sobre a dependência da cidade em relação à mineração. Em 2021, no auge das exportações, Parauapebas movimentou 923,23 milhões de dólares em fevereiro, quase quatro vezes mais do que agora. Esse declínio não só impacta a balança comercial local, como também compromete as finanças municipais.

Fora do ranking nacional e perdas na Cfem
Pela primeira vez em uma década, Parauapebas saiu da lista dos dez maiores exportadores do Brasil, ocupando agora a 11ª posição. O município foi superado por Barcarena, que subiu para o 7º lugar nacional com 350,8 milhões de dólares exportados, e por Canaã dos Carajás, que lidera no estado do Pará e ocupa a 6ª posição no país, com 366,22 milhões de dólares movimentados.
Além do impacto na posição do município no comércio exterior, a queda nas exportações traz consequências diretas para a arrecadação local. A Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), principal fonte de receita da cidade, deve registrar em abril um dos menores repasses desde 2018, com valores estimados entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões. Sem recursos extras ou pagamentos retroativos, a situação financeira da prefeitura pode se agravar nos próximos meses.

Efeito na cidade e futuro incerto
A redução nos royalties deve afetar serviços essenciais, como infraestrutura, saúde e educação. Com menos dinheiro em caixa, a administração municipal precisará reavaliar despesas para evitar um colapso nos serviços públicos.
Enquanto isso, os investimentos da Vale, principal exploradora de minério na região, estão sendo direcionados para outras localidades, como Canaã dos Carajás e Marabá. Com reservas cada vez mais escassas, Parauapebas pode enfrentar um cenário de recessão nos próximos anos se não houver planejamento para diversificar sua economia.
A queda nas exportações é um sinal claro de que a era de abundância está chegando ao fim. Diante desse cenário, a cidade precisa encontrar alternativas para evitar um futuro de incerteza e crise financeira.