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Empresário acusado de invadir áreas minerais ilegalmente tenta comprar silêncio de jornalista no Pará

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15 nov

O empresário Sebastião Ribeiro de Miranda Neto, conhecido como Tiãozinho Miranda, tentou comprar o silêncio de um jornalista para impedir a publicação de uma reportagem envolvendo seu nome. A oferta de dinheiro ocorreu na tarde de quarta-feira, logo após a equipe do Bastidor procurá-lo para comentar uma decisão judicial recente que o beneficiou.

Tiãozinho, que atua nos bastidores da mineração e da política tanto no Pará quanto em Brasília, é acusado de invadir áreas minerais ilegalmente e depois negociá-las. Ele é sobrinho do ex-prefeito de Marabá, Tião Miranda, e figura recorrente em disputas administrativas no setor mineral do sudeste do Pará.

R$ 115 milhões de volta

A reportagem buscava ouvir o empresário sobre a decisão da desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que determinou o trancamento de um inquérito da Polícia Federal, iniciado em 2022 a pedido do Ministério Público Federal. O procedimento investigava se servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM) teriam favorecido Tiãozinho e sua empresa, Luz Mineração Ltda., em decisões sobre áreas de cobre e ferro.

A tentativa de suborno foi registrada pelo Bastidor.

A sequência das mensagens mostra a abordagem:

13h57 – A reportagem envia mensagem pelo WhatsApp, informando a pauta e pedindo posicionamento do empresário.

16h21 – Tiãozinho responde, afirmando que poderia tratar do assunto pelo próprio aplicativo.

• Em seguida, o Bastidor questiona acusações feitas pela mineradora Vale, que contestou na Justiça decisões da ANM que supostamente o favoreceram.

17h18 – O empresário envia uma foto em modo de visualização única e escreve: “Todo mundo gosta de dinheiro, quer quanto para não mexer com isso?”.

O veículo conseguiu registrar a oferta. Após o envio da mensagem, Tiãozinho deixou de responder e não se manifestou novamente.

O episódio reforça o ambiente de pressão, tentativas de intimidação e interferência que frequentemente envolve investigações e reportagens ligadas ao setor mineral no Pará, um dos mais sensíveis e disputados do país.

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