Após denúncias graves feitas pela própria população sobre as condições degradantes e insalubres do Abatedouro Municipal de Bom Jesus do Tocantins, um grupo de vereadores do município divulgou, nesta quinta-feira (29), um vídeo que tenta minimizar a realidade do local e descredibilizar as denúncias tornadas públicas pela imprensa regional.
A gravação, que circula nas redes sociais, foi interpretada por moradores como uma tentativa clara de “passar pano” para a gestão do prefeito Jeilson Reis (MDB), ao invés de cobrar providências imediatas diante da situação sanitária alarmante do espaço onde são abatidos os animais que abastecem o consumo de carne bovina no município.
Chamou atenção o fato de que os vereadores Enfermeiro Ottomá, Rosi Pioneiro e Fituca — todos do União Progressistas — aparecem defendendo a gestão municipal. Até poucos meses atrás, os três integravam o grupo de oposição mais crítico ao governo Jeilson Reis, postura que agora contrasta com a defesa pública da administração e os ataques direcionados aos veículos de comunicação que divulgaram as denúncias.
No próprio vídeo divulgado, o vereador Ottomá, que atua na área da saúde, reconhece a ausência de ações efetivas da Vigilância Sanitária e a inexistência de acompanhamento regular por médico veterinário no local. A declaração contrasta com informações disponíveis no Portal da Transparência da Prefeitura, que apontam a contratação de um veterinário lotado na Secretaria Municipal de Agricultura, com carga horária de 40 horas semanais e remuneração líquida superior a R$ 3,8 mil. Apesar disso, segundo relatos de trabalhadores e moradores, o profissional raramente é visto no abatedouro, mesmo diante das condições visivelmente insalubres.

A denúncia original, divulgada pelo Portal Amazônia Sul e acompanhada de registros fotográficos, aponta que o Abatedouro Municipal encontra-se em completo estado de abandono, operando sem qualquer condição sanitária adequada. As imagens mostram animais abatidos com feridas abertas, presença de nichos infecciosos, insetos, além de um ambiente sem higiene, sem manutenção e sem condições mínimas de segurança para os trabalhadores.

Também foi constatado que o local utiliza máquinas e estruturas inadequadas para o abate de carne destinada ao consumo humano, em total desacordo com as exigências sanitárias básicas previstas em lei. De acordo com a denúncia, as irregularidades são recorrentes e ocorrem sem qualquer intervenção efetiva da Prefeitura de Bom Jesus do Tocantins, responsável direta pela manutenção, fiscalização e funcionamento do equipamento público.
Até o fechamento desta matéria, a gestão municipal não anunciou nenhuma medida concreta para interditar o abatedouro, apurar as denúncias ou garantir a segurança sanitária da carne consumida pela população. O Portal Amazônia Sul informou que mantém a identidade da fonte sob absoluto sigilo e cobra explicações imediatas da Prefeitura sobre a continuidade do funcionamento do abatedouro nessas condições.

Enquanto isso, cresce entre os moradores a preocupação com a saúde pública e a sensação de que, diante de denúncias tão graves, parte da Câmara Municipal optou por proteger a gestão em vez de cumprir seu papel de fiscalização e defesa do interesse coletivo.
