A própria Prefeitura de Marabá acabou contrariando uma declaração pública do prefeito Toni Cunha-Sá (PL) ao reconhecer oficialmente a remarcação de cirurgias na rede municipal de saúde, poucas horas depois de o gestor afirmar que não havia suspensão de procedimentos.

Em publicação nas redes sociais, o prefeito garantiu que as cirurgias de urgência nunca foram e não estão suspensas, tentando afastar qualquer percepção de crise no sistema. Ele também atribuiu os problemas enfrentados à não entrega de insumos por empresas fornecedoras, alegando que essas empresas estariam descumprindo contratos firmados em processos licitatórios.
No entanto, uma nota oficial divulgada pela própria Prefeitura de Marabá confirmou que quatro cirurgias eletivas precisaram ser remarcadas nesta sexta-feira, justamente por causa da indisponibilidade de leitos e da falta de insumos hospitalares. O comunicado reconhece que o baixo estoque decorre da não entrega da quantidade necessária de materiais por parte dos fornecedores.

Diante da escassez, a Secretaria Municipal de Saúde informou que os insumos existentes foram direcionados para os casos mais graves, o que permitiu a realização de 14 cirurgias emergenciais, enquanto pacientes que aguardavam procedimentos eletivos tiveram que ter seus atendimentos adiados.
A nota também afirma que o município acionou judicialmente as empresas que descumpriram os contratos e que já obteve decisões liminares favoráveis, determinando a entrega imediata dos insumos e medicamentos necessários para o funcionamento das rotinas cirúrgicas. Apesar disso, o próprio reconhecimento da remarcação evidencia que o problema já chegou à ponta do sistema e impactou diretamente a população.
Na prática, enquanto o prefeito tenta minimizar a situação em discursos públicos, a comunicação institucional da prefeitura admite que a falta de insumos e de leitos afetou o funcionamento normal da rede de saúde, expondo uma contradição clara entre a fala política e a realidade enfrentada nos hospitais do município.
O episódio reforça uma crítica recorrente à atual gestão: faltam itens básicos para garantir o funcionamento mínimo da saúde pública, ao mesmo tempo em que o prefeito concentra esforços em embates políticos nas redes sociais, ataques despropositados a adversários e projetos de viés megalomaníaco, como a defesa da aquisição de helicópteros com dinheiro público. Para a população que depende do SUS em Marabá, o discurso pouco importa quando o essencial — medicamentos, insumos e leitos — continua em falta.
