O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) instaurou procedimento para apurar possíveis irregularidades em um processo licitatório da Secretaria Municipal de Viação e Obras Públicas de Marabá (Sevop), orçado em R$ 5.495.484,28 — valor que se aproxima de R$ 6 milhões. O certame tem como finalidade a construção de abrigos temporários para famílias atingidas pelas cheias dos rios Tocantins e Itacaiúnas durante o inverno amazônico de 2026.

A investigação está registrada no Processo nº 01.2026.00001034-1. Conforme apurado, a promotora de Justiça Aline Tavares Moreira já ouviu representantes de todas as empresas que participaram da disputa, mas que não foram declaradas vencedoras.
A empresa GR Frota EIRELI foi anunciada como vencedora após apresentar lance no valor de R$ 5.495.484,28. No entanto, o certame chamou atenção porque todas as demais concorrentes foram inabilitadas.
Foram desclassificadas:

O fato de praticamente todas as empresas concorrentes terem sido desclassificadas por critérios técnicos semelhantes levou à abertura do procedimento investigatório.

A Sevop é comandada por Ítalo Ipojucan, sogro do prefeito Toni Cunha-Sá (PL). A denúncia encaminhada ao Ministério Público também menciona supostas ligações entre o secretário e a empresa declarada vencedora, a GR Frota EIRELI, ponto que deverá ser analisado no curso das apurações.
O procedimento ainda cita que, desde o início da atual gestão, empresas ligadas à família da esposa do prefeito teriam firmado contratos com o município, além de relatos de parentes ocupando cargos na administração pública, como o caso de um tio do gestor na área da saúde. Esses pontos também foram incluídos no contexto da denúncia apresentada ao MP.
Até o momento, não há decisão judicial sobre o caso. A investigação segue em andamento, com coleta de informações e análise de documentos.
A reportagem deixa espaço aberto para que a Prefeitura de Marabá, a Sevop e a empresa GR Frota EIRELI se manifestem sobre os fatos apontados.
