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Ausências e críticas marcam festa de 46 anos do PT sob liderança de Beto Faro no Pará

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16 mar

Uma coisa é certa: a face atual do Partido dos Trabalhadores no Pará guarda pouca semelhança com a história que marcou a origem da legenda. A comemoração pelos 46 anos do partido, realizada no último sábado (14), em Marabá, acabou expondo ausências importantes e um crescente desconforto interno com os rumos da sigla sob a presidência estadual do senador Beto Faro.

O evento teve como ponto central a defesa da pré-candidatura do deputado estadual Dirceu Ten Catenà vaga de vice-governador em uma possível chapa liderada pela vice-governadora Hana Ghassan, do MDB. A própria cabeça de chapa, no entanto, não compareceu à celebração — ausência que foi percebida por militantes e lideranças como um sinal político relevante.

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Outro ausente foi o governador do Pará, Helder Barbalho, que também não esteve no evento e tampouco enviou representantes.

Se faltaram figuras centrais da possível aliança majoritária, por outro lado chamou atenção a presença de prefeitos e lideranças políticas identificadas com a direita. Durante o encontro, Beto Faro anunciou que pretende realizar em breve “o maior ato de filiação do Nordeste paraense”, previsto para ocorrer no município de Capitão Poço.

Entre os nomes citados como novos quadros do partido estão o deputado Antonio Tonheiro, ligado ao agronegócio e que se declara politicamente de direita, além do ex-deputado Jaques Neves, médico e proprietário de hospital, com trajetória política distante das pautas historicamente defendidas pelo petismo.

Em seu discurso, Faro relembrou sua origem política na representação de trabalhadores rurais e da agricultura familiar, mas também afirmou com naturalidade que hoje possui avião próprio para percorrer o estado fazendo articulação política. “Dirceu, você tem vaga no meu avião”, disse ao se dirigir a Ten Caten.

Ao mencionar o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na escolha de Belém como sede da COP30 e os investimentos federais destinados à região metropolitana da capital paraense, além da atuação do ministro das Cidades, Jader Filho, o senador também deixou um recado político ao governador Helder Barbalho. Segundo Faro, caso o PT não seja contemplado com a vaga de vice na chapa de Hana Ghassan, o partido poderá lançar candidatura própria ao governo do Estado. “Já fizemos isso em condições muito mais desfavoráveis”, afirmou.

Nos bastidores, porém, a condução política do senador tem provocado críticas de setores históricos do partido. Entre militantes mais antigos, a avaliação tem sido dura: “Beto sepultou o petismo”, comentam alguns.

Um dos sinais do desconforto interno foi a ausência do deputado estadual Carlos Bordalo, tradicional aliado de Faro, que não compareceu ao evento e, segundo interlocutores, tem manifestado insatisfação com os rumos do partido no estado.

Enquanto isso, lideranças petistas já começam a se movimentar de olho nas eleições de 2026. O deputado federal Airton Faleiro deve disputar a reeleição, enquanto o ex-deputado federal Zé Geraldoarticula retornar à política tentando uma vaga na Assembleia Legislativa.

Outros nomes históricos do partido, como Ana Júlia Carepa e Paulo Rocha, acompanham o cenário escanteados, e com atenção.

A expectativa dentro do PT é eleger entre cinco e seis deputados estaduais no próximo pleito. O desafio, no entanto, será definir quais nomes ocuparão essas vagas em um partido cada vez mais pressionado por disputas internas e questionamentos sobre sua identidade política no Pará.

Com informações de Franssinete Florenzano, jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa.

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