A passagem do pré-candidato à Presidência da República Renan Santos pelo Pará provocou forte repercussão política e social nos últimos dias, após declarações consideradas ofensivas contra povos indígenas da região do Baixo Tapajós, em Santarém, e críticas generalizadas à capital Belém.

As falas repercutiram entre lideranças locais, professores e movimentos sociais, resultando em manifestações públicas de repúdio e no protocolo de uma representação junto ao Ministério Público Federal.
Denúncia e reação de lideranças indígenas
Em Santarém, a pré-candidata a deputada estadual Auricélia Arapiun criticou duramente as declarações atribuídas ao presidenciável e confirmou a apresentação de uma denúncia formal ao MPF.
Segundo ela, as falas representam desconhecimento sobre a realidade dos povos originários e suas lutas territoriais.
“Não podemos admitir que pessoas como ele ocupem qualquer espaço de poder nesse país. É um absurdo completo um pré-candidato não fazer a mínima ideia do que é a luta dos povos indígenas originários”, declarou.
A representação encaminhada ao Ministério Público Federal solicita a apuração dos fatos, com base em possíveis ataques a minorias e disseminação de desinformação, além da remoção de conteúdos publicados em redes sociais e eventual responsabilização dos envolvidos.
Críticas sobre declarações envolvendo Belém
Outro foco de reação veio após o pré-candidato se referir a bairros de Belém de forma generalizada como espaços de extrema precarização social, utilizando termos que foram amplamente contestados nas redes e em ambientes acadêmicos.
O professor Márcio Ponte publicou um vídeo nas redes sociais rebatendo as declarações e criticando o que classificou como desconhecimento sobre a realidade econômica e estratégica do Pará.
No pronunciamento, ele destacou indicadores que, segundo ele, evidenciam a relevância do estado, como a liderança nacional na produção de açaí, cacau e pecuária, além da importância do polo mineral de Barcarena, responsável por grande parte da produção de alumínio no país.
Controvérsia fiscal e repercussão nacional
As declarações de Renan Santos também reacenderam discussões sobre questionamentos fiscais envolvendo familiares do pré-candidato no estado de São Paulo. Segundo apontamentos mencionados nas contestações locais, haveria uma dívida estimada em cerca de R$ 400 milhões junto à União e ao Fisco paulista, investigada pelo Ministério Público de São Paulo.
Até o momento, não há confirmação oficial de responsabilização definitiva sobre o caso citado.
Cenário eleitoral
De acordo com pesquisa do Datafolha, Renan Santos aparece com 3% das intenções de voto no cenário de primeiro turno, empatado tecnicamente com o governador Ronaldo Caiado.
O levantamento aponta ainda que, embora distante dos líderes da disputa — o presidente Lula, com 41%, e Flávio Bolsonaro, com 31% — o pré-candidato se mantém em um grupo intermediário, à frente ou empatado com nomes como Romeu Zema, Aécio Neves e Joaquim Barbosa.
