Se tem uma coisa que parece estar faltando na pré-campanha de Lanúzia Cunha (PL), primeira-dama de Marabá e esposa do prefeito 30 reais para quem comparecer a reuniões da candidata primeira-dama de Marabá Toni Cunha (PL), é gente disposta a participar espontaneamente das reuniões políticas. Pelo menos é o que sugere um áudio vazado de um grupo de apoiadores da pré-campanha, que começou a circular entre moradores do município.
Na gravação, a presidente da Associação de Moradores do Residencial Magalhães, Liliane Nunes, aparece articulando a participação de moradores em uma reunião no núcleo São Félix com o candidato a deputado federal Rogério Lustosa, que faz dobradinha política com Lanúzia.
O detalhe que chamou atenção foi o incentivo oferecido para colocar gente na reunião: R$ 30 por pessoa.
E a quantia parece ter agradado. Em determinado momento, ao comentar o valor, Liliane comemora: “30 reais já é três rodada de shopp”.
Ou seja: para conseguir encher uma reunião política, o convite, ao que indica o áudio, viria acompanhado de uma pequena ajuda financeira — suficiente, segundo a própria articuladora, para garantir uma “rodada de shopp”.
No áudio, Liliane também deixa clara sua preferência por Lanúzia Cunha e afirma que pretende trabalhar politicamente para a primeira-dama, que deve disputar uma vaga de deputada estadual nas eleições deste ano.
A gravação começou a repercutir rapidamente e levantaram suspeitas sobre uma possível tentativa de compra de apoio político ou até de captação ilícita de votos.
É importante fazer a distinção: o áudio, isoladamente, não comprova a prática de compra de votos. Porém, se a oferta de dinheiro estiver vinculada à obtenção de votos ou à contratação de apoio eleitoral, o caso poderá ser considerado grave e deverá ser analisado pelas autoridades competentes.
A Justiça Eleitoral deverá avaliar o conteúdo completo das gravações, a autenticidade dos áudios, quem ofereceu ou pagou os valores e, principalmente, qual era a finalidade do dinheiro.
Enquanto isso, a pré-campanha da primeira-dama ganha um novo ingrediente. Depois de uma gestão municipal marcada por milhões de reais em contratos e anúncios de investimentos, a política de base aparentemente estaria sendo feita no varejo: R$ 30 por cabeça e uma rodada de “shopp” para ajudar a lotar a reunião.
Resta saber se, para quem pretende conquistar votos, R$ 30 serão suficientes para comprar presença — e se presença será suficiente para comprar voto.
