A administração municipal de Marabá atravessa um período de crescente questionamento público diante do avanço de empresas de fora do município na prestação de serviços à prefeitura. Muitas dessas empresas possuem histórico de contratos milionários com a gestão de Ananindeua e passaram a operar em Marabá por meio de adesões de atas e novos contratos, prática prevista em lei, mas que vem sendo utilizada de forma recorrente pela atual gestão. O cenário tem gerado insatisfação entre empresários locais e ampliado o debate sobre os rumos econômicos e políticos adotados pelo prefeito Toni Cunha.
Entre as empresas citadas com frequência estão a Norte Ambiental e a Vera Cruz, ambas amplamente conhecidas por manterem contratos expressivos com a Prefeitura de Ananindeua. A chegada dessas e de outras prestadoras de serviço a Marabá, segundo críticos, consolidou um volume de terceirizações com empresas consideradas “forasteiras” que já é apontado como um dos maiores da história recente do município.
Embora a legalidade das adesões de atas não seja questionada do ponto de vista formal, o uso intensivo desse mecanismo tem levantado dúvidas sobre a priorização de fornecedores locais e sobre os impactos diretos dessas escolhas na economia marabaense. Empresários da cidade reclamam da falta de oportunidades e afirmam que recursos públicos significativos estão deixando o município, em vez de circular no comércio local e estimular a geração de empregos.

O debate ganha contornos ainda mais sensíveis quando se observa o vínculo político entre o prefeito de Marabá, Toni Cunha, e o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos. Aliados e companheiros de trajetória política, os dois gestores mantêm relação próxima, o que, nos bastidores, é interpretado por analistas como parte de uma possível articulação eleitoral para 2026. Ao mesmo tempo, Toni Cunha também preserva diálogo aberto com o governador Helder Barbalho, alimentando comentários de que o prefeito estaria “acendendo vela para dois santos” no tabuleiro político estadual.
Enquanto essas movimentações políticas avançam, a percepção nas ruas de Marabá é de frustração. A crítica recorrente é de que milhões de reais estariam saindo diariamente do município sem que a população perceba retorno proporcional em obras, serviços ou desenvolvimento econômico local. Para muitos moradores, a presença crescente de empresas externas contrasta com a estagnação de setores tradicionais da economia da cidade.
Um dos exemplos mais citados é a atuação da Norte Ambiental, que passou a operar também no transporte público urbano. Apesar da relevância do serviço e do volume de recursos envolvidos, usuários relatam que não houve melhorias significativas na qualidade do transporte, o que reforça a sensação de distanciamento entre os contratos firmados e os benefícios efetivamente percebidos pela população.
Diante desse cenário, cresce a pressão para que a gestão municipal esclareça os critérios adotados nas contratações, apresente resultados concretos e explique de que forma essas escolhas contribuem para o desenvolvimento de Marabá. O debate, que já extrapola o campo administrativo, promete seguir no centro das discussões políticas locais nos próximos meses.
