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Dinheiro para fora da cidade: caminhões alugados por Toni Cunha por R$ 9 milhões pertencem à empresa de Cuiabá (MT)

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26 jun

A polêmica dos caminhões de lixo apresentados pelo prefeito Toni Cunha (PL) nas redes sociais ganhou um novo capítulo. Depois de o Portal Cidade Atual revelar que os veículos não foram comprados pela Prefeitura de Marabá, mas sim alugados por R$ 9,198 milhões, uma nova apuração mostra que os caminhões pertencem a uma empresa de Cuiabá, no Mato Grosso.


Os documentos obtidos com exclusividade pela reportagem mostram que os veículos têm como proprietária a GID Comercial Automotores Ltda, empresa sediada em Cuiabá (MT). Já o contrato milionário assinado pela Prefeitura de Marabá foi firmado com a J.L. Construções e Serviços Ltda, empresa de Marabá que venceu a adesão à ata de registro de preços.

R$ 115 milhões de volta

Na prática, a empresa contratada pela prefeitura não é dona dos caminhões. Os documentos de registro dos veículos apontam outra empresa como proprietária, levantando questionamentos sobre a forma como a operação foi estruturada. Segundo especialistas em licitações, a subcontratação em adesões a atas de registro de preços pode ser vedada, dependendo das regras previstas no edital e no contrato.

O caso reforça uma prática que vem sendo alvo de críticas à atual gestão: contratos milionários que acabam fazendo recursos públicos deixarem de circular na economia local. Embora a contratação tenha sido assinada com uma empresa de Marabá, os caminhões pertencem a um grupo empresarial instalado em outro estado.

A situação também contrasta com o discurso adotado por Toni Cunha no início do mandato. Na época, o prefeito criticava duramente os contratos de aluguel de veículos mantidos pela administração municipal e afirmava que colocaria fim a esse tipo de despesa. Passada metade do governo, porém, a gestão recorreu justamente a um contrato de locação de quase R$ 10 milhões para tentar conter as críticas à coleta irregular de lixo, que durante meses foi feita com tratores e caçambas em diversos bairros e na zona rural.

https://www.instagram.com/p/DGeITTIxIvE/?igsh=a2o4ZmxzbTBncmMw

A chegada dos caminhões foi amplamente divulgada nas redes sociais do prefeito como uma conquista da administração. No entanto, os documentos oficiais mostram uma realidade diferente: os veículos não foram comprados, não passam a integrar o patrimônio do município e permanecerão pertencendo à empresa proprietária mesmo após o encerramento do contrato.

A ata de registro de preços prevê uma despesa total de R$ 9.198.000,00 para a locação dos caminhões compactadores, incluindo motorista, combustível, manutenção e demais custos operacionais, com possibilidade de utilização simultânea de até 15 veículos.

Agora, além do debate sobre o contrato milionário de locação, surge um novo questionamento: por que a Prefeitura de Marabá firmou um contrato com uma empresa que não é a proprietária dos caminhões utilizados no serviço? A reportagem deixa espaço aberto para que a Prefeitura, o Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá (SSAM) e a empresa contratada apresentem esclarecimentos sobre o caso.

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