Um verdadeiro fogo amigo tem incendiado os bastidores políticos em torno da pré-candidatura da primeira-dama Lanúzia Lobo a deputada estadual em Marabá. A tensão envolveria duas figuras centrais dentro do próprio círculo familiar do prefeito Toni Cunha-Sá (PL): o pai de Lanúzia, o secretário municipal de Obras, Ítalo Ipojucan, e o pai do prefeito, Carlos Sá.
De acordo com fontes ouvidas pelo Portal Cidade, dentro da administração municipal, os dois estariam travando uma espécie de “guerra fria” nos corredores da Secretaria de Viação e Obras Públicas (Sevop), onde o prefeito também costuma despachar. A disputa seria, principalmente, por influência política e proximidade com o chefe do Executivo.

Segundo relatos, Carlos Sá — que não ocupa nenhum cargo oficial na prefeitura — teria demonstrado incômodo com o nível de centralização de decisões e influência que Ítalo Ipojucan exerce na pasta, especialmente na relação com empresários e empreiteiros que prestam serviços ao município.
Ainda de acordo com essas fontes, no início da atual gestão municipal, o pai do prefeito frequentava diariamente o gabinete do filho na Sevop, numa tentativa de acompanhar de perto os rumos da administração. Com o tempo, porém, teria perdido espaço para o secretário e sogro do prefeito, o que teria provocado um clima de rivalidade nos bastidores.
Nos corredores da prefeitura, comenta-se que Carlos Sá estaria se sentindo escanteado na influência sobre o próprio filho e incomodado com o protagonismo assumido por Ítalo Ipojucan dentro da gestão.
Apelido e ironia nos bastidores
Fontes que pediram anonimato relataram ainda que Carlos Sá teria passado a se referir de forma irônica ao secretário como “pastor” em conversas reservadas com interlocutores próximos. A referência, segundo esses relatos, não estaria relacionada diretamente à religião — embora Ítalo e sua esposa sejam evangélicos, enquanto Carlos é espírita.

De acordo com essas mesmas fontes, o apelido teria surgido como uma ironia entre pessoas que circulam no meio empresarial ligado à prefeitura. Isso porque, segundo relatos atribuídos a empresários e empreiteiros que mantêm diálogo frequente com a Secretaria de Obras, em diversas conversas o secretário mencionaria repetidamente a expressão “10%”.
Clima ruim dentro da gestão
Essa disputa familiar estaria criando um clima pesado dentro da própria administração municipal. Fontes afirmam que o ambiente político na prefeitura ficou mais tenso e que até informações sensíveis da gestão teriam começado a circular nos bastidores.
O problema é que esse conflito interno pode acabar atrapalhando justamente o principal projeto político da família neste momento: a pré-candidatura de Lanúzia Lobo.

Para aliados do governo municipal, a candidatura da primeira-dama só terá chances reais se houver união dentro do grupo e uso articulado da estrutura política da gestão para construir apoio.
Sem essa unidade, o caminho pode ficar mais complicado.
Desafio político
Além da disputa interna, Lanúzia ainda enfrenta outro desafio: construir uma identidade política própria.

Até hoje, a primeira-dama não teve atuação destacada à frente de movimentos sociais, associações ou causas populares na cidade. Nos bastidores da política local, adversários costumam classificá-la como uma figura ligada a um círculo mais elitizado da cidade, distante da realidade da maioria da população.

Com a disputa familiar esquentando dentro da própria prefeitura, a pergunta que começa a circular nos bastidores da política marabaense é simples: antes de buscar votos nas ruas, o grupo do prefeito vai precisar primeiro resolver a briga dentro de casa.
