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Em Marabá, advogada ligada à Rede da Mulher chama colega de “imunda” e “vadia” em grupo institucional

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1 ago

Uma série de ofensas proferidas pela advogada Heliane Paiva, ex-coordenadora especial de Políticas Públicas para a Mulher da Prefeitura de Marabá, contra outra mulher da mesma área de atuação, causou perplexidade em um grupo institucional da Rede de Proteção à Mulher no município. A confusão ocorreu logo após o lançamento oficial da campanha Agosto Lilás, na última sexta-feira (1º), e tem repercutido negativamente entre conselheiras e representantes da rede.

Heliane Paiva é advogada e foi coordenadora especial de Políticas Públicas para a Mulher de Marabá, no início da gestão do atual prefeito Toni Cunha, mas foi exonerada do cargo, para dar espaço à pastora e presidente municipal do PL Mulher, Suely Lara.

As mensagens, inicialmente enviadas por Heliane de forma privada à advogada Claudia Chini, vice-presidente do Fórum Permanente de Mulheres de Marabá, continham xingamentos como “puta”, “escrota”, “vadia”, “imunda”, “ridícula”, “maldita”, entre outros. Diante da ausência de resposta, a própria Heliane decidiu publicar os prints da conversa no grupo da Rede de Proteção à Mulher de Marabá, espaço que reúne representantes de órgãos públicos, conselhos, entidades e movimentos sociais atuantes na defesa dos direitos das mulheres.

Cláudia Chini é advogada e vice-presidente do Fórum Permanente de Mulheres de Marabá. Ela atua ativamente na defesa dos direitos das mulheres, participando de ações e políticas públicas contra a violência doméstica na região. Também representa a OAB e o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher em eventos e conferências que buscam fortalecer a proteção e o empoderamento feminino em Marabá.

As expressões divulgadas geraram reações imediatas. A conselheira Zélia Borges classificou as mensagens como “muito agressivas”, enquanto a militante Cirléia Alves reagiu com a frase: “Meu Deus, quanta violência”. Já a ativista Daniele apontou: “Conflitos pessoais devem ser resolvidos nos meios legais”.

A coordenadora da zona rural da rede, Calina Toniato, fez uma manifestação mais longa, condenando o uso do grupo para esse tipo de exposição. Ela defendeu que conflitos pessoais sejam tratados em particular e lembrou que o grupo institucional deve servir para o fortalecimento das mulheres.

“Estamos no grupo da rede de proteção à mulher, e você coloca publicamente o ódio que tem por outra mulher. […] Não estamos aqui para perder tempo ouvindo certas coisas”, afirmou Calina.

A coordenadora ainda relembrou um episódio anterior, em que discordou da postura de Heliane durante um evento da Coordenadoria da Mulher, mas preferiu tratar a situação de forma privada, como esperava que ocorresse neste caso.

A polêmica coincide com o início do Agosto Lilás, campanha nacional de enfrentamento à violência contra a mulher, que em Marabá foi lançada na sexta-feira, 1º de agosto, na Usina da Paz. Instituída pela Lei 14.448/2022, a iniciativa tem como objetivo divulgar a Lei Maria da Penha e promover ações de combate à violência doméstica.

Procurada pela reportagem, Heliane Paiva não apresentou qualquer justificativa formal até o fechamento desta matéria. Ao ser questionada, respondeu apenas com uma figurinha com os dedos cruzados. A reportagem também tentou contato com Claudia Chini, mas não obteve retorno.

Diante da gravidade das ofensas e da repercussão negativa entre os membros da rede, é esperada uma manifestação pública das entidades envolvidas. Há ainda possibilidade de que as declarações feitas por Heliane se tornem alvo de medidas judiciais, podendo ser enquadradas como violência psicológica contra a mulher — crime previsto na própria legislação que ela, até recentemente, representava.

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