A implantação de novas restrições de acesso no Hospital Municipal de Marabá (HMM) tem provocado revolta entre usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e familiares de pacientes atendidos na unidade. Segundo denúncias encaminhadas ao Portal Carajás Notícias, acompanhantes passaram a ser impedidos de entrar em diversos setores do hospital, enfrentando dificuldades até mesmo para acessar água, banheiro e um local adequado para espera.
A denúncia partiu de uma leitora indignada com a situação enfrentada diariamente no hospital. “Bom dia. Agora no hospital municipal não aceita mais acompanhante entrar, as pessoas ficam em pé aqui fora, não deixam ir no banheiro e nem tomar água, não tem lugar pra sentar”, relatou.
A situação reacende críticas à condução da saúde pública municipal e ao modelo adotado pela direção da unidade diante da superlotação e dos problemas estruturais históricos enfrentados pelo HMM. Em vez de ampliar o acolhimento e garantir melhores condições para pacientes e familiares, a medida vem sendo interpretada por usuários como mais uma ação que penaliza justamente a população mais vulnerável, dependente do SUS.
Familiares denunciam que, além da restrição de acesso, o ambiente externo do hospital não possui estrutura mínima para receber quem aguarda notícias de parentes internados. Sem cadeiras, espaço adequado ou acesso liberado a necessidades básicas, muitos relatam sensação de abandono e humilhação.
A decisão também levanta questionamentos sobre possível afronta às diretrizes da Política Nacional de Humanização do SUS, que reconhece a presença de acompanhantes como parte fundamental no cuidado hospitalar, especialmente em situações de fragilidade emocional e física.
Além disso, legislações como o Estatuto do Idoso, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei Brasileira de Inclusão asseguram o direito a acompanhante em diferentes situações clínicas. Apesar disso, usuários afirmam que a aplicação das novas regras vem ocorrendo de forma rígida e sem sensibilidade diante da realidade das famílias atendidas pela rede pública.
O que diz a direção do HMM
Procurada pela reportagem do Portal Carajás Notícias, a direção do Hospital Municipal de Marabá informou, por meio de nota, que as mudanças fazem parte de “adequações necessárias no controle de acesso às dependências do HMM, garantindo mais organização, segurança e eficiência no funcionamento da unidade”.
Segundo a nota, as medidas têm como objetivo garantir “mais segurança aos pacientes e servidores; organização do fluxo hospitalar; controle de infecções e higienização; melhor funcionamento das equipes assistenciais; preservação do patrimônio público”.
A direção também afirmou que idosos, gestantes, pessoas com deficiência, crianças e pacientes oncológicos continuam tendo direito legal a acompanhante, conforme previsto nas normas vigentes.
Mesmo assim, as reclamações persistem. Para muitos familiares, o problema vai além do acesso ao hospital e revela a falta de humanização no atendimento prestado à população que depende exclusivamente da saúde pública em Marabá.
Enquanto a gestão defende as restrições como medidas administrativas e de segurança, pacientes e acompanhantes seguem enfrentando um cenário marcado por desconforto, insegurança e indignação em uma das principais unidades hospitalares do sudeste paraense.
