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Incra afirma que área ocupada pelo MST em Marabá pertence à União e MPF cobra proteção às famílias acampadas

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7 maio

A disputa por terras voltou a esquentar no campo em Marabá e agora ganhou ainda mais repercussão após o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária afirmar oficialmente que a área ocupada por famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra pertence à União e integra a Gleba Itacaiúnas, área pública federal destinada à reforma agrária.

A ocupação acontece na chamada Fazenda Entre Rios, dentro da área do Projeto de Assentamento Maria Glória, e já dura cerca de uma semana. Segundo o Incra, o local possui capacidade para assentar cerca de 194 famílias.

R$ 115 milhões de volta

Diante do aumento da tensão no local, o Ministério Público Federal entrou no caso em caráter de urgência e cobrou do Governo do Estado e das forças de segurança garantias básicas para as famílias acampadas, principalmente acesso a água, alimentos e medicamentos.

O MPF afirma ter recebido denúncias de possíveis restrições à entrada de itens essenciais no acampamento, situação que poderia atingir diretamente crianças, idosos e mulheres grávidas que permanecem na área.

Enquanto isso, a Polícia Militar do Pará diz que atua apenas como mediadora do conflito, através do Comando de Policiamento Rural (CPRural), e nega qualquer bloqueio à entrada de comida ou remédios. A corporação afirma que apenas realiza fiscalização nos veículos que entram no local para impedir a entrada de materiais ilícitos.

O caso ganhou ainda mais peso após o próprio Incra ingressar na Justiça para reaver oficialmente a área e destiná-la à reforma agrária. O MST sustenta que a ocupação é legítima e lembra que uma portaria publicada em dezembro de 2025 já teria destinado a área ao assentamento Maria Glória.

Do outro lado da disputa, o proprietário da fazenda afirma que a área não faz parte do território destinado à reforma agrária e acusa o movimento de ocupar irregularmente áreas de preservação ambiental.

Nos bastidores, o conflito é visto como mais um capítulo da histórica guerra por terras no sudeste do Pará, região marcada por décadas de disputas agrárias, violência no campo e pressão de grandes proprietários sobre áreas públicas federais.

Agora, a decisão final ficará nas mãos da Justiça Federal, enquanto dezenas de famílias seguem acampadas aguardando um desfecho para o impasse.

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