O prefeito de Marabá, Toni Cunha Sá (PL), pode estar prestes a dar um passo que promete acirrar ainda mais a tensão entre o Executivo municipal e o Ministério Público. Após uma sequência de ataques públicos à promotora de Justiça Aline Tavares Moreira, titular da Promotoria de Defesa da Probidade Administrativa, o foco agora seria o marido da integrante do MP, o empresário Eduardo Barbosa.

Segundo fontes da própria Secretaria Municipal de Obras, o prefeito já teria encomendado projeto executivo para a construção de um complexo turístico com lago, nos moldes do implantado em Parauapebas, justamente em área privada pertencente a Eduardo Barbosa.

O detalhe que chama atenção é que o terreno, com mais de dois mil metros quadrados, está localizado em área nobre às margens da Rodovia Transamazônica, em frente ao Atacadão, tendo sido, no passado, centro de distribuição da Skol na região, além de já ter abrigado o Marolão Parque Show e o Stop Tode.
A área é murada, tem aos fundos a Vila Militar e a faculdade de medicina FACIMPA, e é considerada estratégica por sua localização privilegiada, próxima ao trevo de acesso aos núcleos urbanos da cidade. Avaliada em cerca de R$ 260 milhões, poderia abrigar desde um shopping center até outro grande empreendimento privado.
De acordo com as informações obtidas, a gestão municipal estuda declarar o terreno como de interesse público, o que abriria caminho para um pedido de desapropriação a ser submetido à Câmara Municipal. Nos bastidores, fala-se que o município estaria disposto a oferecer valor inferior a R$ 60 milhões, cifra muito abaixo da estimativa de mercado, o que representaria impacto direto no patrimônio familiar do empresário e de seus filhos.
O secretário adjunto de Obras, Dário Veloso — que já atuou em Parauapebas na construção de complexo semelhante — teria sido incumbido de tocar o projeto. A escolha da área, no entanto, levanta questionamentos, já que Marabá possui vocação natural para o turismo com os rios Tocantins e Itacaiúnas, além de praias de água doce amplamente exploradas pela população.

O pano de fundo do caso envolve as críticas reiteradas do prefeito à promotora Aline Tavares Moreira, que conduz investigações sobre contratos e licitações da atual gestão. Em declarações nas redes sociais, Toni Cunha chegou a insinuar que Eduardo Barbosa influenciaria o trabalho da esposa — acusação rebatida pelo empresário.

Em entrevista concedida no dia 12 de fevereiro, Eduardo afirmou: “Esclareço que não tenho qualquer interferência no trabalho da Dra. Aline, minha esposa, Promotora de Justiça há 31 anos, há 2 anos apenas na promotoria da improbidade. Ela exerce suas funções com independência e tem o dever de apurar todas as denúncias que lhe são encaminhadas.”
Ele também negou qualquer vínculo político ou contratual com o município: “Não tenho ligação relevante com político algum, não possuo contratos com a Prefeitura e jamais participei de licitação. Insinuações nesse sentido são totalmente infundadas.”

Nos próximos dias, o prefeito deve anunciar oficialmente o projeto do complexo turístico. A depender da forma como o processo de desapropriação seja conduzido, o episódio pode se transformar em mais um capítulo da já tensionada relação entre o Executivo municipal e órgãos de controle em Marabá.
