A sessão desta terça-feira (7) na Câmara Municipal de Marabá foi marcada por críticas duras e questionamentos sobre o destino de recursos públicos da saúde. O presidente da Casa, vereador Ilker Moraes (MDB), criticou publicamente a tentativa da Secretaria Municipal de Saúde de credenciar uma empresa de fora do estado para prestar serviços oftalmológicos no município.
A proposta envolve a Associação para Promoção à Saúde Visual (Prover), sediada em Sabará (MG), e prevê um contrato de R$ 7.577.396,78 para a realização de cerca de 9 mil atendimentos com base na tabela do SUS. O tema já havia sido debatido na segunda-feira (6), durante reunião extraordinária do Conselho Municipal de Saúde — e causou forte reação entre conselheiros e representantes do setor.

O valor e as condições do contrato levantaram desconfiança imediata. Isso porque, segundo relatos da própria reunião, clínicas locais afirmam não conseguir manter esse tipo de atendimento dentro dos mesmos parâmetros financeiros. O clima foi de incredulidade, com direito a manifestações de espanto e até risos diante da proposta apresentada.
Representantes de clínicas de Marabá, como Vision Oftalmologia e Instituto da Visão, participaram da discussão e contestaram a viabilidade do projeto. O principal questionamento foi direto: como uma empresa de outro estado conseguiria operar com valores que os prestadores locais consideram impraticáveis?

A situação reacende uma crítica recorrente à gestão do prefeito Toni Cunha: a preferência por empresas de fora, mesmo com estrutura e profissionais disponíveis no município. De acordo com o que foi debatido, a atual administração já destinou mais de R$ 300 milhões a prestadores “forasteiros”.
Além da questão financeira, conselheiros também levantaram preocupação com a transparência do processo. Há dúvidas sobre possíveis indícios de direcionamento e sobre os critérios adotados para o credenciamento, o que reforça a necessidade de uma análise mais rigorosa.

Ainda em janeiro, o Conselho Municipal de Saúde já havia cobrado da gestão uma relação mais transparente e permanente com o controle social. No entanto, segundo os próprios conselheiros, o cenário atual indica o oposto.
Diante da repercussão, ficou definido que o processo de credenciamento será encaminhado para as comissões internas do Conselho, onde passará por análise técnica, financeira e jurídica antes de retornar ao plenário.
O caso aumenta a pressão por fiscalização e deve seguir no radar dos órgãos de controle. A expectativa agora é que a documentação esclareça se o contrato é, de fato, viável, se atende ao interesse público e se respeita os princípios da transparência e da impessoalidade.
Com informações do Portal Carajás Notícias
