A criação de uma nova secretaria na Prefeitura de Marabá virou combustível para uma crise dentro da própria base que ajudou a eleger o prefeito Toni Cunha. Após a primeira-dama, Lanúzia Lobo — sem ocupar cargo oficial na gestão — protocolar o projeto na Câmara, uma enxurrada de críticas tomou conta das redes sociais, principalmente entre apoiadores que se identificam como de direita e conservadores.
O que mais chama atenção é o tom das reações: revolta, ironia e sentimento de traição. Muitos dos comentários vieram justamente de eleitores que estiveram ao lado do prefeito durante a campanha e agora dizem não se sentir representados.

“Já perdeu meu voto esse prefeito”, disparou um internauta. Outro foi além: “Já perdeu os votos do povo de Marabá”.
A principal crítica gira em torno da promessa de campanha que, segundo eleitores, era a criação de uma secretaria exclusiva para as mulheres — e não uma pasta que reúne várias pautas, incluindo direitos humanos e políticas voltadas à população LGBT.
“Nós mulheres queremos uma secretaria exclusiva! E que criem a outra, que também é importante!”, comentou uma seguidora. Outro reforçou: “Nada contra, mas por que não uma secretaria só das mulheres?”.
Entre os comentários mais duros, há quem acuse o prefeito de ter abandonado o discurso conservador. “Eu sabia que eles eram petistas disfarçados”, escreveu uma usuária. Já outro ironizou: “Sabor petista disfarçado kkkkk”.

A revolta também veio acompanhada de críticas à forma como o projeto foi apresentado. O protagonismo da primeira-dama no ato, mesmo sem cargo oficial, gerou estranheza e questionamentos sobre quem, de fato, está conduzindo decisões dentro da gestão.

“É patético usar a causa LGBT+ apenas para se promover politicamente. Não me representa!”, escreveu um internauta.
Apesar da onda de críticas, houve também quem saísse em defesa da proposta, destacando que políticas públicas devem atender todos os segmentos da sociedade. “O governo tem que ser pra todos… nada a ver ficar com raiva por criar política pública pra LGBT”, ponderou um comentário.
Ainda assim, o clima geral nas redes é de desgaste político, especialmente dentro do campo conservador. O episódio escancara um possível racha entre Toni Cunha e parte da base bolsonarista que o apoiou nas urnas.
Até o momento, a Prefeitura de Marabá não se pronunciou oficialmente sobre as críticas, nem explicou os detalhes do projeto ou o papel da primeira-dama na iniciativa.
Enquanto isso, a repercussão só cresce — e o que era para ser uma ação administrativa já virou mais um capítulo de crise política na cidade.
