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Secretaria de Agricultura de Marabá deixa projetos com pequenos agricultores paralisados e máquina que custou R$ 1,6 milhão está há 60 dias sem uso

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24 jul

A crise na Secretaria Municipal de Agricultura de Marabá atinge diretamente dezenas de comunidades rurais do município. Projetos fundamentais para garantir autonomia, produção e renda de pequenos agricultores estão paralisados, enquanto equipamentos milionários permanecem encostados sem qualquer utilidade.

A situação mais grave envolve uma perfuratriz adquirida por R$ 1.670.000,00 com recursos de emenda parlamentar federal. A máquina, comprada para perfurar poços artesianos e garantir irrigação para a produção agrícola familiar, está há cerca de 60 dias parada. O investimento, que deveria transformar a realidade dos produtores das áreas mais afetadas pela seca, hoje representa mais um símbolo do descaso da gestão com o setor rural.

Além da perfuratriz, um conjunto de programas da secretaria foi praticamente abandonado. Projetos de avicultura, piscicultura (tanto em tanques escavados quanto suspensos), pastejo rotacionado para gado leiteiro, sistemas de irrigação, implantação de sistemas agroflorestais e ações de apicultura estão suspensos. A agroindústria voltada para a produção de farinha de mandioca também está paralisada.

Nem mesmo iniciativas básicas, como a doação de madeira serrada e estacas de acapu para cercamento e plantio, estão sendo executadas. O viveiro municipal está sem sacos para mudas nem materiais para dar continuidade às atividades. O projeto de instalação de placas solares, que chegou a ser anunciado como solução inovadora para as comunidades agrícolas, também não saiu do papel — o material chegou, mas nada foi entregue até agora.

Ao todo, cerca de 50 Projetos de Assentamento (PAs) que antes eram atendidos pela secretaria estão hoje desassistidos. Os agricultores reclamam da ausência total de suporte técnico, máquinas e insumos.

O retrato do abandono também se vê no pátio da secretaria, onde 26 tratores, escavadeira, trator de esteira e retroescavadeiras permanecem sem uso. Máquinas que deveriam estar a serviço da produção de alimentos locais e do fortalecimento da agricultura familiar, mas que hoje acumulam poeira e frustração.

Hiron Farias, secretário de Agricultura de Marabá há 7 meses, ainda não mostrou a quê veio, em uma gestão de gabinete, marcada pelo distanciamento dos produtores rurais.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Agricultura para esclarecer os motivos da paralisação e do não uso da perfuratriz, mas até o fechamento desta matéria não houve resposta.

Enquanto isso, os agricultores seguem esperando por um mínimo de compromisso com quem vive da terra e alimenta a cidade.

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