O Independente de Tucuruí protocolou, nesta quarta-feira (21), um pedido de suspensão do início do Campeonato Paraense de 2026 junto ao Tribunal de Justiça Desportiva do Pará (TJD-PA). A competição está prevista para começar no próximo sábado (24), mas o clube sustenta que o torneio não deve ter continuidade enquanto não houver o encerramento definitivo das disputas judiciais envolvendo o rebaixamento da temporada passada.

A iniciativa do clube é motivada por uma decisão recente do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), que determinou que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) refaça o julgamento que havia revogado a perda de pontos da Tuna Luso e do Capitão Poço, punição anteriormente imposta pelo próprio TJD-PA. Para o Independente, enquanto o novo julgamento não ocorrer, a decisão válida continua sendo a do tribunal desportivo estadual, o que manteria a equipe de Tucuruí na elite do futebol paraense.
Com esse entendimento, o clube pede a suspensão imediata do início do Parazão 2026 ou, de forma alternativa, que os jogos da primeira rodada não sejam homologados. Segundo o advogado Fernando Cordero, responsável pela defesa do Independente, até o momento não houve qualquer resposta do Tribunal sobre o pedido apresentado.

O Independente foi um dos clubes rebaixados para a Série A2 após a avocação do caso pelo STJD, decisão que mudou o desfecho do campeonato passado. Diante disso, a diretoria optou por recorrer à Justiça comum. Na última terça-feira (15), a juíza Lailce Ana Marrom, titular da 9ª Vara Cível da Capital, acatou o pedido do clube e declarou a nulidade absoluta do acórdão publicado pelo STJD, que havia revogado a decisão do TJD-PA sobre a perda de pontos.
Além desse processo, o Independente também possui outra ação em tramitação na Justiça comum, na qual pede a desfiliação do Cametá da Federação Paraense de Futebol (FPF). Segundo apuração do Núcleo de Esportes de O Liberal, o clube de Tucuruí aponta que a equipe estaria em desacordo com normas e regras estabelecidas pela federação.
A Federação Paraense de Futebol reconhece o risco de paralisação, mas tenta evitar um novo adiamento do estadual. Em entrevista à Rádio Liberal+ na manhã desta quarta-feira, o vice-presidente da FPF, Sandclei Montes, afirmou que a entidade acompanha o caso e que cumprirá qualquer decisão judicial, embora admita os prejuízos que uma eventual suspensão poderia causar.
“Seria lamentável uma paralisação. O presidente da FPF está atento a isso, o jurídico está falando 24 horas sobre o assunto. Caso ocorra a paralisação, traria um prejuízo grande, porque não há data para fazer o campeonato lá na frente. Infelizmente, se a Justiça determinar alguma coisa, vamos cumprir, mas a Federação está trabalhando para evitar esse problema”, declarou.
Até que haja uma decisão judicial em sentido contrário, a FPF mantém o calendário do Campeonato Paraense. A partida de abertura segue marcada para o sábado (24), entre Remo e Bragantino, no Mangueirão. No domingo (25), o Paysandu estreia diante do São Raimundo, na Curuzu.
O cenário, no entanto, expõe mais um capítulo de insegurança jurídica no futebol paraense, com decisões conflitantes entre tribunais esportivos e a Justiça comum, e lança dúvidas sobre a regularidade e a estabilidade do Parazão 2026 já na sua largada.
